Perspectivas para a medicina nuclear brasileira em 2026.
A medicina nuclear brasileira entra em 2026 em um momento de consolidação.
Depois de anos marcados por expansão tecnológica pontual e forte dependência externa, o setor passa a combinar crescimento de demanda, reorganização institucional e amadurecimento regulatório.
O cenário não é de ruptura, mas de evolução gradual, com oportunidades claras e desafios estruturais que seguem determinantes.
O aumento da incidência de doenças oncológicas, cardiovasculares e neurológicas mantém a medicina nuclear como área estratégica do diagnóstico e da terapêutica.
Em 2026, essa relevância se traduz em maior volume de exames, incorporação progressiva de tecnologias híbridas e necessidade crescente de processos mais organizados, rastreáveis e alinhados às exigências regulatórias brasileiras.
Crescimento do mercado
O mercado nacional de imagem nuclear segue em expansão, impulsionado principalmente por PET/CT e SPECT/CT aplicados à oncologia e à cardiologia.
Hospitais privados e grandes centros continuam liderando investimentos, enquanto regiões menos assistidas avançam de forma desigual.
A demanda cresce, mas expõe limites operacionais quando não há estrutura adequada de gestão, dados e padronização clínica.
Infraestrutura e produção de radioisótopos
A produção de radioisótopos permanece como ponto sensível da cadeia.
Iniciativas nacionais para reduzir a dependência de importações ganham relevância, com destaque para o Reator Multipropósito Brasileiro.
Em 2026, seus efeitos ainda são graduais, mas o impacto esperado é a maior previsibilidade no fornecimento de insumos essenciais, fator crítico para a estabilidade dos serviços e para o planejamento de longo prazo.
Ambiente regulatório e políticas públicas
A atuação da CNEN e a construção de diretrizes estratégicas para o Programa Nuclear Brasileiro criam um ambiente mais previsível.
Isso favorece investimentos em pesquisa aplicada, parcerias internacionais e desenvolvimento de radiofármacos.
Ao mesmo tempo, aumenta a exigência por conformidade, documentação adequada e rastreabilidade, elevando o nível de responsabilidade técnica dos serviços.
Formação profissional e mercado de trabalho
A medicina nuclear segue como especialidade altamente técnica, com número restrito de profissionais em algumas regiões.
A expansão da demanda pressiona por formação continuada, equipes multidisciplinares bem treinadas e retenção de conhecimento institucional.
Onde processos dependem excessivamente de indivíduos, o risco operacional se torna mais evidente.
Inovação tecnológica e prática clínica
Ferramentas de software avançado, análise de dados e aplicações de inteligência artificial passam a integrar o cotidiano dos serviços.
Além disso, terapias direcionadas e abordagens teranósticas ampliam o escopo da especialidade.
Essa convergência entre diagnóstico e tratamento reforça a necessidade de gestão estruturada e integração entre áreas clínicas, operacionais e regulatórias.
Conclusão
Em 2026, a medicina nuclear brasileira apresenta perspectivas positivas, sustentadas por crescimento de demanda, avanços tecnológicos e fortalecimento institucional.
A defasagem nos valores de reembolso e na precificação de exames e terapias constitui hoje o maior desafio da medicina nuclear, potencializado pelas desigualdades regionais e pela escassez de especialistas.
O fator decisivo para atravessar esse cenário não está apenas na tecnologia disponível, mas na capacidade dos serviços de organizar processos, garantir conformidade e transformar conhecimento técnico em operação consistente.
É nesse equilíbrio entre ciência, gestão e regulação que o setor consolida seu próximo estágio de maturidade.

Terapia com radioligante do adenocarcinoma ductal pancreático usando um par teranóstico marcado com 68Ga / 177Lu direcionado à integrina αvβ6
A “integrina do câncer” αvβ6 é altamente expressa em vários tipos de células carcinomatosas [1], particularmente no adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC) [2], o que motivou o desenvolvimento e a avaliação clínica de diversas sondas de imagem PET direcionadas à integrina αvβ6 [3]. No entanto, relatos clínicos sobre agentes terapêuticos correspondentes marcados com, por exemplo, 177Lu ainda são escassos [4].
A imagem mostra PET/CT pré-terapêutico direcionado à integrina αvβ6 (A, projeção de intensidade máxima (MIP); B, fusão axial; adquirida 90 min após a injeção de 141 MBq de 68Ga-D0103) [5], bem como SPECT/CT intraterapêutico (C, E, MIP; D, F, fusão axial) de um paciente do sexo masculino com carcinoma metastático da cabeça pancreática (60 anos, 66 kg; progressivo com metástase hepática, 21 meses após ressecção da cabeça pancreática preservando o piloro com dissecção radical de linfonodos, quimioterapia adjuvante FOLFIRINOX, gemcitabina + 5-fluorouracil e gemcitabina + abraxane), adquirido 1 dia (C, D) e 3 dias (E, F) após a administração do novo agente de terapia com radioligante direcionado à integrina αvβ6 (RLT), 177Lu-Therahexin-503 (6,925 GBq). Gelafusal® (4% gelatina succinilada, 500 mL) foi infundido em paralelo por 6 h, começando 30 min antes do 177Lu-Therahexin-503, para reduzir a captação renal [6]. A aplicação foi bem tolerada, sem efeitos adversos. A contagem sanguínea completa antes e 48 h após a terapia não mostrou alterações significativas, todos os valores dentro ou próximos aos referenciais.
No PET/CT (A, B), uma metástase hepática cranial (seta vermelha) e lateral (seta azul) (MTV 2,14 e 3,14 cm³, respectivamente) mostrou SUVbwmax / SUVbwmean de 12,8 / 7,7 e 13,3 / 8,5, respectivamente. Consequentemente, uma captação alta e persistente de 177Lu-Therahexin nessas lesões foi confirmada pelo SPECT (C–F), resultando em doses médias absorvidas de 9,0 ± 1,4 e 10,3 ± 3,3 Gy, respectivamente (dosimetria baseada em voxel). O SPECT/CT com 177Lu-Therahexin também demonstrou fundo desprezível e captação baixa (estômago, intestinos) ou moderada (fígado) em órgãos, enquanto a captação renal inicialmente alta diminuiu com o tempo.
Em conjunto, o 177Lu-Therahexin-503 apresentou biodistribuição favorável e retenção alta e prolongada em lesões metastáticas de PDAC, mostrando potencial para uma terapia eficaz com radioligante direcionada à integrina αvβ6 em cânceres que expressam essa integrina.
Versão original: “Radioligand therapy of pancreatic ductal adenocarcinoma using an αvβ6-integrin targeting 68Ga / 177Lu labeled theranostic pair”

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Legislação CNEN e AnVISA
Adequação do Serviço de Medicina Nuclear as Normas da ANVISA e CNEN.
Boas práticas em radiofarmácia
Consultoria para implantação de boas práticas em radiofarmácia. Prestamos consultoria personalizada para a sua necessidade, atendendo aos requisitos da ANVISA segundo RDC 38 de 04 de Junho/2008 e demais normativas associadas.
Mercado
Estudo de viabilidade econômica e mercadológica para insumos de Medicina Nuclear.
De acordo com a sua necessidade, fazemos uma Análise Financeira e Plano de Negócios, seja para a expansão de seu SMN, produção de novas moléculas, e realização de novos exames.






